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domingo, 6 de agosto de 2017

Governista 'Wlad' e as suas extravagâncias

O deputado Wladimir Costa (SD-PA), que tatuou o sobrenome do presidente 
No jornal Folha de SP, edição deste domingo
Wladimir Costa ainda era um garoto "miserável, uma figura raquítica", mas de uma coisa já sabia. "Tinha que recorrer à garganta", ele conta, lembrando como se sobressaía no mercado Ver-o-Peso, em Belém, onde vendia creme dental Kolynos.

"Eu gritava, gritava. Sempre foi assim nas minhas conquistas", diz o hoje, aos 53 anos, deputado federal eleito pelo Solidariedade.

Começou a semana que passou chamando atenção por ter sido fotografado, sem camisa, ostentando um "Temer" tatuado no ombro.

Continuou na quarta (2), na sessão que barrou o prosseguimento da denúncia contra o presidente, que defendeu apaixonadamente na tribuna.

Depois, foi fotografado no WhatsApp com uma mulher: "Mostra a tua bunda". Diz que se tratava de brincadeira, pois a remetente, uma jornalista que não quis identificar, pedia para tirar a camisa e provar que a tatuagem era real.

Já causara estardalhaço em abril de 2016, ao estourar confetes no plenário durante a votação do afastamento de Dilma Rousseff. Votou pelo impeachment da petista.

Sua posição mais frequente, no entanto, é a ausência. Neste mandato, não participou de 73% das votações. Desde 2003, seu primeiro ano na Câmara, não aprovou nenhum projeto próprio.

Já propôs criar o dia do professor de dança e anexar o Amapá ao Pará. Um terceiro projeto pune deputados que, no exercício do cargo, caluniem ou ofendam "qualquer pessoa ou outro parlamentar".

Na última quarta, Costa levou bronca do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por chamar o PT de "organização criminosa". Ele é alvo de dois pedidos de investigação por calúnia, injúria e difamação no STF.

Um deles foi movido pelo ex-aliado Jader Barbalho (PMDB-PA). O senador se queixa de entrevista em que o deputado disse que "Barbalho não é sobrenome, é por-no-gra-fia".

O mandato de Costa foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, que o condenou por não ter declarado gastos de R$ 400 mil na eleição de 2014. Caso confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o deputado pode se tornar inelegível –o que ele acha improvável, argumentando que suas contas já foram aprovadas.

DEU ONDA
A língua sem freio fez de Costa sucesso nas rádios de Belém, onde é mais conhecido como "Wlad". Ficou famoso à frente de programas policialescos. "Vai ter muita onda em Brasília", prometia aos eleitores. A expressão local é uma forma positiva de falar de confusões como a que o deputado faz no Congresso, por exemplo ao inflar bonecos de Lula vestido de presidiário.

Fez fama nas aparelhagens, festas populares no Pará, como vocalista da Banda Wlad, de música brega.

A presença na mídia –a família, segundo o deputado, detém concessões de rádios e de retransmissoras da TV Record Pará adentro– garantiram 141 mil votos em 2014.

Boa parte deles estava na periferia de Belém, como o bairro da Pedreira, onde o apoio a Temer não pegou bem para o ex-camelô. "Aquela tatuagem, achei uma ignorância", diz a contadora Jacile Barros, 50. "Ele passava a ideia de que quando chegasse lá ia fazer por nós. Mas não fez."

Diz não temer a associação ao presidente, com quem vai "caminhar até o fim". Conta que o peemedebista é seu segundo ídolo –o primeiro é a mulher, Amanda, a quem diz ter dedicado uma de suas seis tatuagens, na região genital.

Depois da vitória na Câmara, Costa pegou na mão de Temer, beijou-a e apertou-a contra o peito: "Um dos maiores estadistas da história deste país!". Ele recebeu R$ 1,89 milhão em emendas entre junho e julho, segundo levantamento da Agência Lupa com a ONG Contas Abertas.

O deputado assume que pediu cargos ao presidente em troca do apoio –embora diga não ter recebido garantias do Planalto. "Vou dar apoio e não pedir nada? Vou falar de futebol com o presidente?"

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